A Vida de José de Anchieta – O Padre Jesuíta

Ele teve uma importância imensa para o início e expansão do Catolicismo no Brasil. O sacerdote da Companhia de Jesus, durante muito tempo de sua vida, se dedicou com grande empenho às obras missionárias no Brasil.  Conheceremos neste artigo a vida de José de Anchieta – o Padre Jesuíta.

A Infância de José de Anchieta

José de Anchieta nasceu na cidade de San Cristóbal de La Laguna, na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias), pertencente à Espanha, em 19 de março de 1534.

A família de José de Anchieta era grande, tinha mais 9 irmãos. Ele era o terceiro. Pelo lado paterno, era descendente de judeus.

Muito cedo, foi enviado para a Universidade de Coimbra, em Portugal, para estudar.

A Vocação para a Religiosidade de José de Anchieta

Ainda jovem, com 17 anos de idade, José de Anchieta descobriu sua vocação, muito influenciado pelas cartas de Francisco Xavier. Aliás, essas cartas influenciaram muitos jovens universitários europeus.

Ingressou então, em 1551, nos Jesuítas de Coimbra em Portugal, após ter frequentado a Universidade de Coimbra.

A Vida de José de Anchieta - O Padre Jesuíta. Pintura do Padre José de Anchieta.
A Vida de José de Anchieta – O Padre Jesuíta. Pintura do Padre José de Anchieta.

A Vinda de José de Anchieta para o Brasil

Em 8 de março de 1553, ele fez parte da terceira expedição jesuíta que partiu para o Brasil. Tinha então 19 anos de idade. Depois de 4 meses, desembarcou na Bahia, em 8 de julho de 1553.

José de Anchieta e a Fundação da Cidade de São Paulo

Em 1554, apenas um anos após chegar ao Brasil, ele fundou a nova missão de Piratininga, junto com o Pe. Manuel de Nóbrega, com a abertura de um colégio dedicado ao apóstolo São Paulo, no Planalto de Piratininga, o que seria o início da cidade de São Paulo.

Pateo do Colégio atualmente, no centro da cidade: local de nascimento de São Paulo. Foto - fonte: www.saopaulo.sp.gov.br
Pateo do Colégio atualmente, no centro da cidade: local de nascimento de São Paulo. Foto – fonte: www.saopaulo.sp.gov.br

 

A finalidade do colégio era catequizar os índios. As famílias portuguesas e indígenas deixavam suas terras e se mudavam para áreas vizinhas do colégio fundado pelo Pe. José de Anchieta.

Aos poucos a aldeia se transformou em vila, e a vila se transformou em uma cidade, que hoje é uma das maiores do mundo.

Atualmente o local abriga um museu em homenagem ao Pe. José de Anchieta e uma Igreja que contém as relíquias do Santo Padre.

A Importância de José de Anchieta para a Cultura e Literatura Brasileira

O Pe. José de Anchieta se tornou uma referência positiva para os índios da região. Ele foi professor de gramática não só para os índios e seus filhos, como também para os filhos dos colonizadores portugueses.

Dedicou-se às aulas de latim e estudou profundamente e aprendeu a língua dos índios, o tupi-guarani, conseguindo dessa forma uma maior aproximação e contato com os indígenas. É considerado o autor da primeira gramática da língua tupi-guarani.

Dessa forma, sua importância para a Literatura Brasileira é imensa pois, sendo um dos primeiros autores do Brasil, é considerado o criador da literatura brasileira. Criou poemas, canções, peças teatrais, gramáticas, cartas e uma epopeia.

As Características de Pe. José de Anchieta

Fisicamente, o Pe. José de Anchieta era de estatura mediana, magro e de feições bronzeadas. Tinha olhos azulados e uma expressão alegre e amiga.

Tinha um temperamento decidido e espírito forte. Durante 44 anos de sua vida, percorreu por muitas áreas do Brasil ensinando e praticando o Evangelho de Jesus para a pessoas, principalmente os indígenas.

Pe. José de Anchieta era excessivamente bondoso e caridoso, fazia o possível para ser amigo de todos. O Padre Jesuíta Gouveia disse o seguinte sobre o Pe. José de Anchieta:

“É um homem fiel, prudente e humilde em Cristo, muito querido por todos, de quem ninguém se queixou, nem me é possível encontrar uma palavra ou ação em que ele tenha feito algo errado.”

Ajudava a todas pessoas que o procurassem: aos pobres e sofredores. Dava conselho aos governantes e, principalmente, ajudava e defendia os índios.

Pe. José de Anchieta sempre colocava seus dons (habilidade na arte da oratória, o domínio da gramática, o gosto pelos clássicos latinos) a serviço de sua abençoada missão.

Pintura "Poema à Virgem Maria", do pintor Benedito Calixto (1853-1927).
Pintura “Poema à Virgem Maria”, do pintor Benedito Calixto (1853-1927). Apresenta o Pe. José de Anchieta escrevendo na areia de Iperoig, o poema à Virgem, de quem era devoto. Foto: Divulgação / Museu de Anchieta

Foi ordenado sacerdote em 1566, e logo depois acompanhou o Pe. Manuel de Nóbrega na fundação do Rio de Janeiro.

Na Vila de Reritiba, Pe. José de Anchieta iniciou a obra “História da Companhia de Jesus no Brasil”, que infelizmente se perdeu e restaram apenas fragmentos.

A Morte de Pe. José de Anchieta

Pe. José de Anchieta faleceu em 9 de junho de 1597, aos 63 anos de idade, em Reritiba, atual cidade de Anchieta – ES.

Os índios, aqueles que tanto o Pe. José de Anchieta ajudou, estiveram com ele até o fim e levaram seu corpo até Vitória, local do seu sepultamento. Foi uma viagem de oitenta quilômetros.

A Beatificação e Canonização de Pe. José de Anchieta

O Papa João Paulo II beatificou, em 22 de junho de 1980, o Padre Jesuíta José de Anchieta, grande missionário e apóstolo do Brasil.

34 anos depois, em 3 de abril de 2014, o Papa Francisco decretou sua canonização.

A importância do Pe. José de Anchieta para o Brasil se faz notar também pela sua grande popularidade. Há no Brasil nada mais nada menos que 348 ruas e avenidas que levam seu nome.

Além disso, 288 escolas e a rodovia que liga a cidade de São Paulo à cidade de Santos, levam seu nome.

Pe. José de Anchieta, que além de ter fundado a cidade de São Paulo, contribuiu também a fundação das cidades do Rio de Janeiro e da cidade de Anchieta, no Espírito Santo, deixou obras e um legado gigantesco para nosso país.

O Brasil deve muito a este grande ser humano chamado Pe. José de Anchieta.

Frases de Pe. José de Anchieta

“Pelos índios, sinto que me são mais próximos que os portugueses, porque é por eles que vim buscar no Brasil e não para esses.”

“Minha condição física é fraca, mas a força da graça é suficiente para mim, que da parte de Deus, nunca falhará.”

Certa vez, Pe. José de Anchieta disse aos irmãos que permaneceram em Coimbra, Portugal:

“Não basta sair de Coimbra com um fervor que logo murcha, antes mesmo de cruzar a linha do Equador, ou que logo esfria, e querendo voltar para Portugal. É preciso ter os alforjes cheios para durar até o final do dia.”

Leia também:
A História de Padre Pio de Pietrelcina

Você Também Pode Gostar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pular para a barra de ferramentas